Caminho de Santiago Etapas

Caminho de Santiago – Etapa 3 Pamplona à Los Arcos

Caminho de Santiago etapa 3
Escrito por Antonio JR

Caminho de Santiago – Etapa 3 Pamplona a Los Arcos

Etapa 3 – Pamplona / Cizur Menor (4.6km) / Zariquiegui (6.7km) / Uterga (6.3km) / Muruzábal (2.7km) / Obanos (1.6km) / Puente La Reina (3km) / Mañeru (5.6km) / Cirauqui (2.5km) / Lorca (6.6km) / Villatuerta (5.4km) / Estella (4.2km) / Ayegui (1.5km) / Los Arcos (21.7km)

Total da etapa: 72.4km – Restam: 680,1km

Caminho de Santiago etapa 3Albergue Peregrino em Pamplona: 13,00 euros

Prato Peregrino: 9 euros

Saímos da agradável cidade de Pamplona antes das oito da manhã, adorei minha passagem por lá. Passamos pela parte nova da cidade e até a movimentação das pessoas, dos carros, juntamente com os belos parques e avenidas, me proporcionaram um sentimento ímpar.

Logo já no início da manhã, pouco após a saída de Pamplona passamos por Cizur Menor. O local utilizado para ser uma Comenda da Ordem de S. João de Malta, também mantém um hospital de peregrinos. Um dos Albergues ainda é gerido pela Ordem, e se você tiver sorte o suficiente, você pode ter a sua acomodação entre as velhas paredes da igreja, que é uma verdadeira bênção no verão.

Em Cizur Menor você pode parar para conhecer a Iglesia de San Miguel Arcángel e o Portal Romãnico, com o monogramo grego de Cristo no tímpano. É uma igreja que foi construída já no final do século XII.

Um dos pontos mais conhecidos do Caminho de Santiago é o Alto do PerdãoA partir de Cizur Menor, passamos por Zariquiegui e após avistarmos vários moinhos de vento, começamos a subir ladeira acima. Subida moderada! Esses moinhos de energia eólica também nos dão as boas vindas. O Alto do Perdão está a pouco mais de 700 metros de altitude. O terreno nesse trajeto complica um pouco, pois parecia ser um terreno argiloso, onde foi colocado cascalho em cima. A subida de bicicleta passa a ter uma dificuldade ainda maior. Para os que caminham também devem ter mais atenção, principalmente em caso de chuva.

Caminho de Santiago etapa 3

Moinhos de Vento

Caminho de Santiago etapa 3

Subida até o Alto do Perdão

Caminho de Santiago etapa 3

Alto do Perdão

O Alto do perdão possui um monumento aos peregrinos feito em ferro e uma bela vista. Neste monumento observa-se a inscrição “Onde se cruza o caminho do vento com o das estrelas”.

Após uma parada para um lanche e fotos,

começamos a descer. Uma descida bem escorregadia devido aos cascalhos soltos. A bicicleta trepidou muito e como havia muitos peregrinos descendo, ter muita prudência é o mínimo que os bikers podiam ter. Um conselho para os peregrinos: Joelhos e pernas nas descidas sofrem muito desgaste, portanto, tenham cautela!

Após o Alto do Perdão passamos pela cidade de Uterga e também Muruzábal. Na última saímos um pouco da nossa rota e fomos conhecer a Igreja Templária de Eunate. Essa igreja está no ponto final do caminho Aragonês, que logo unificará com o caminho francês. Juan, o motorista da Van que nos levou até SJPP, nos disse para ficar atento à temperatura de fora e de dentro da Igreja, assim também como a temperatura das pedras. Tenho que confessar uma coisa: Fiz um esforço enorme para tentar diferenciar.

A Igreja de Santa Maria de Eunate (apesar de controverso, seu formato octogonal sugere que tenha sido construída pelos Cavaleiros Templários) possui estilo românico do século XII. Aproximadamente 3 quilômetros de Muruzábal, que fizemos de bicicleta de maneira rápida. Para os peregrinos o tempo de desvio é bem maior, claro. Nesse caso sugiro, caso haja o interesse em conhecê-la, que considere este tempo dentro do planejamento. Programe-se, pois nas segundas-feiras fica fechada. Em torno da igreja há um arco e Eunate significa dez portas em basco. Subimos o drone para fotos e selamos nossa credencial.

Caminho de Santiago etapa 3

Área lateral da Igreja de Eunate

Caminho de Santiago etapa 3

Igreja de Santa Maria de Eunate

Antes de chegarmos a Puente La Reina ainda passamos por Obanos e sua Iglesia de San Juan Batista. A Igreja de São João Batista é a guardiã da relíquia de São William de Aquitaine, 34 ossos preservados em uma cabeça de prata. Todo ano, geralmente na quinta-feira seguinte a quinta-feira santa, os padres derramam água e vinho sobre a relíquia e em seguida oferecem ao povo.

Chegamos a Puente La Reina, outra tão esperada parada do Caminho de Santiago. Nessa cidade, que possui esse nome devido à maravilhosa ponte de pedra medieval, estilo românico com seis belos e perfeitos arcos, cuja construção ordenada no século XI, unifica-se o Camino Aragonés e o Caminho Francês. A ordem para construção partiu de Munia (Muniadona), a esposa de Sancho III, com a intenção de facilitar a travessia do rio para os peregrinos.

Caminho de Santiago etapa 3

Ponte Romana em Puente la Reina

Caminho de Santiago etapa 3

Ponte Romana em Puente la Reina

Caminho de Santiago etapa 3

Na entrada da cidade, ao lado da Iglesia del Crucifijo, os Cavaleiros Templários construíram um hospital para os peregrinos, que hoje serve como um albergue.

Pelas ruas de Puente la Reina presenciei, acredito eu, a cena mais impressionante do meu caminho. Um senhor com aparência de aproximadamente 70 anos caminhando com uma micro bolsa e a perna esquerda toda enfaixada (veja foto abaixo). A dificuldade da sua caminhada me impressionou. Pensei por algum momento que poderia se tratar de um simples morador da cidade. Mas não era, acredite! Em Los Arcos, me levantei às 03h50min da manhã para ir ao banheiro e cruzei com o mesmo senhor no corredor. Ele deveria estar começando a caminhada dele todos os dias às 4h. Isso é mais motivacional do que muitos discursos que vimos por aí. Percebi naquele momento que o Caminho de Santiago é de extrema importância para muitos peregrinos.

Caminho de Santiago etapa 3

Um exemplo em Puente la Reina

Os sete arcos (um dos arcos está sob o solo) da ponte sobre o rio Arga merecem atenção especial. Em dias de céu claro podemos ver, de uma ponte paralela, a beleza de seus arcos, assim como o reflexo de suas pedras no rio. Dizem que a ponte de pedra é nossa vida material, é o que está por fora de nós e o que vemos no reflexo é nossa alma. Ás vezes percebemos somente o que estamos vendo, deixando de lado nosso interior. A perfeição dos arcos, juntamente com seu reflexo, forma círculos precisos que demonstram, justamente, que deve haver união e equilíbrio entre as duas partes. Sem dúvidas, um ponto muito importante do Caminho de Santiago.

Muitas intervenções já foram feitas na Iglesia de Santiago, mas mesmo assim merece destaque. Apenas a entrada românica da igreja foi preservada durante reconstruções posteriores. Dentro abriga uma estátua conhecida como Santiago Preto. Paramos e fizemos nossas orações. Em Mañeru passamos por um cruzeiro medieval (uma cruz). No centro da cidade fica a igreja de San Pedro e uma pintura barroca do século XVIII pode ser vista.

Cirauqui é uma bela aldeia. Tem um morro com íngremes e estreitas ruas de paralelepípedos e a igreja de San Román ocupando o ponto mais alto da cidade. Zirauki significa “ninho de víboras” em basco.

Cirauqui, devido à sua localização, foi escolhida como local de liquidação desde os tempos primitivos. A história de Cirauqui está ligada aos romanos. Trecho confuso. Sugiro: Como em toda região, Cirauqui está profundamente romanizada, pode-se evidenciar isso se deparando com a ponte conhecida como “a ponte caída” que tem características romanas, assim como toda a estrada, coberta por restos de cerâmica romana.

Cirauqui na época medieval era um lugar muito ocupado. Com o aumento das peregrinações uma Ospedaje ou Hospital Velho foi construído na cidade para atender aos pedestres. A importância da cidade não diminuiu, apesar da redução no número de caminhantes.

Se pernoitar em Cirauque não deixe de conhecer: Iglesia de Santa Catalina de Alejandría, do século XII e Iglesia de San Román. Como nossas horas estavam contadas devido a um problema em meu bagageiro ocorrido na descida do Alto do Perdão, deixamos de conhecê-las. Mas é realmente difícil conhecer tudo. Indicamos a você, dentro de sua programação, escolher o que deve ou não ser visitado.

A Igreja de San Román é um poderoso bloco de pedra medieval, datado por volta de 1200, ampliado e remodelado nos séculos XVI e XVII. Sua fachada é composta por um grande arco , capitéis decorados com cabeças humanas, leões e grifos. Dentro da igreja, três retábulos barrocos do séc. XVIII e uma bela cruz de prata, do séc. XVI, do estilo renascentista, podem ser vistos.

Passamos rapidamente por Lorca e Villatuerta para chegarmos à Estella. Ainda antes de chegarmos, procuramos pegar uma carretera para que exigisse menos do meu bagageiro. Desprendemos-nos do caminho (eu e Daniel) procurando um possível acesso via asfalto. Restavam 3 a 4 quilômetros somente, mas meu bagageiro, a esta altura do campeonato, já apresentava um desgaste grande que nos fazia parar a quase todo instante. Essa nossa escapulida nos rendeu um momento de susto.

Chegamos a uma autopista que não é permitido circulação de bicicletas, somente em carreteras. Naquela ocasião não tínhamos saída. Ou voltávamos por onde tínhamos vindo ou arriscaríamos por ali mesmo. O tempo que seria perdido no retorno nos fez tomar a decisão de continuar pela autopista. Claro que atravessamos o guardrail para maior segurança, mas mesmo assim, muito próximo a Estella, uma viatura da polícia nos parou. Informamos o que tinha acontecido. Os policiais parecem já acostumados com alguns avanços equivocados de ciclistas estrangeiros que estão percorrendo o Caminho de Santiago. Nos informaram como fazer para sairmos daquele local e nos desejaram “buen camino”.

Chegamos à Estella. Quase mudamos de plano dormindo por ali mesmo. Já estava ficando tarde. Mas resolvemos seguir adiante e neste momento o Rafael já tinha se juntado a nós. Não deu pra conhecer esta cidade. A Chris e o Henrique chegaram mais tarde e preferiram ficar por lá mesmo. Essa cidade também merece uma atenção mais que especial.

Caminho de Santiago etapa 3

Ruas da charmosa Estella

A cidade de Estella é de origem romana, nome basco original Lizarra que significa tanto ‘freixo’ quanto ‘estrela’. Por um período foi também o lar dos reis de Navarra. Estella é também conhecida como o “Toledo do Norte”, devido à sua grande quantidade de igrejas e palácios.

Como muitos dos assentamentos no Caminho de Santiago, essa cidade também começou a desenvolver-se devido à grande quantidade de peregrinos que chegam no local a caminho de Santiago de Compostela. A cidade ainda hoje oferece vários tipos de acomodações e serviços para os peregrinos, assim como nos tempos medievais.

Em Estella visite:

Iglesia de San Pedro de la Rúa 

Essa é uma igreja de meados do século XIII, tem uma pequena capela dedicada a Santo André, padroeiro de Estella.

Iglesia de San Miguel

Essa igreja, provavelmente, a mais antiga da região, foi construída entre 1187 e 1196, o período em que Sancho VII começou a invadir Navarra. O mais belo tesouro é o retábulo de Santa Elena.

Basílica de Nuestra Señora del Puy

Diz uma lenda que, por volta de 1085, um grupo de pastores foi atraído para o local por estrelas cadentes. Escondida em uma caverna, eles descobriram uma estátua da Virgem Maria. Em primeiro lugar foi construída uma capela, e depois uma igreja barroca, que por sua vez foi substituída em 1951, por uma moderna construção de estilo gótico, dando origem a basílica em forma de estrela.

Palacio de los Reyes de Navarra

É um Palácio do século XII, pertencente aos reis de Navarra. Foi declarado ‘Monumento Nacional’ em 1931, hoje é um museu e galeria de arte. Na fachada principal, há figuras narrando um episódio da Lenda de Roland.

Seguimos nosso plano e seguimos para dormir em Los Arcos. Pelo caminho, passamos por Ayegui, em alguns quilômetros depois, você encontra um pequeno lugar chamado Irache. Além de seu belo mosteiro, outra atração muito visitada é a Fonte do Vinho, que fornece vinho tinto e água para os peregrinos desde 1991. Para ser sincero, eu não curti. Parece muito mais uma sacada de marketing do que outra coisa. O vinho não é o vinho comercializado, acredito eu. Quase não sai vinho da fonte, por isso, é um atrativo sem graça, nem dá para os peregrinos desfrutarem.

Caminho de Santiago etapa 3

Fonte de Irache

Em frente à fonte fica o Monastério de Santa Maria de La Real de Irache.

Em Azqueta, sugeriram que conhecêssemos o Sr. Pablo, Pablito com é chamado, ele doa cajados de avelãs e é uma figura ilustre do caminho. Não tivemos o prazer de conhecê-lo.

Depois de uma subida mais forte o caminho começa a ficar plano. Todo o atraso dessa etapa fez com que nossos lanches acabassem. A fome batia, uma chuva se aproximava e nada de Los Arcos. Muitas propriedades com blocos de feno podem ser visto nessa região. Montes enormes fazem com que os peregrinos pareçam pequenos pontos de longe. É claro que batemos fotos… Enfim, chegamos a Los Arcos. Também uma vila de origem romana, possivelmente, surgida a partir do cruzamento de caminhos na fronteira entre Castela e Navarra.

Caminho de Santiago etapa 3

O Caminho e seus fenos

Enfim chegamos em Los Arcos. Ela é também uma vila de origem romana.

Caminho de Santiago etapa 3

Portal de Los Arcos

Ao lado da Igreja de Santa Maria há um local super agradável com bares. Ali você pode desfrutar um delicioso prato peregrino e no meu caso, uma caña, claro! Meu parceiro de cañas, Henrique, perdeu esse momento super agradável, pois ele ficou para dormir em Estella.  À direita da igreja está o Portal da Cidade Antiga do século 16.

Caminho de Santiago etapa 3

Área lateral da Igreja

 Veja o vídeo da etapa 3: O Caminho de Santigo de Compostela (PARTE 3)

Veja galeria completa de fotos da etapa 3:

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Sobre o autor

Antonio JR

Sou um amante da natureza e de esportes outdoor. Corredor de montanha, sou um aficionado por trilhas e terrenos acidentados. Tenho um carinho por tudo que envolve arte e a música é outra atividade que me libera endorfina. Um apaixonado pelo mundo, acredito no poder transformador de cada viagem e com elas adquiro vivência e experiência para minha vida.

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