Paris

Museus inusitados em Paris

Museus Inusitados de Paris
Escrito por Débora Rodrigues

Museus inusitados em Paris

Paris é uma cidade multicultural e cosmopolita e oferece uma gama de atrações tão rica e diversa que seria impossível de conhecê-las em apenas alguns dias de estadia. Essa afirmativa se aplica, obviamente, aos seus museus : Paris conta com mais de 140 deles, dedicados aos mais variados temas. Filtrar, selecionar e encaixá-los no programa de viagem, sem esquecer dos monumentos, castelos, restaurantes e atrações, é um desafio de cortar o coração ! Sempre partiremos com o nome daquele lugar na memória que queríamos ter visto mas que por falta de tempo ficou para uma próxima. C’est la vie !

Os museus mais conhecidos e frequentados não são difíceis de se adivinhar e, embora sejam grandes clichês, são também paradas obrigatórias e valem cada segundo e centavo: o Museu do Louvre e o Museu d’Orsay, dado aos seus acervos, arquitetura e importância no cenário parisience.

Mas, caso você disponha de mais tempo na cidade das luzes, ou caso não seja sua primeira vez em Paris, ou (porque não) queira fugir um pouquinho do óbvio e voltar com aquela carta na manga que vai impressionar os seus amigos viajantes, confira a seguir algumas sugestões de museus, digamos, inusitados:

#1 – Museu Carnavalet

Dedicado especialmente à história de Paris, o Musée Carnavalet ocupa dois imóveis vizinhos cuja arquitetura, por si só, já faria a visita valer a pena : os antigos Hotel Carnavalet, do qual o Museu herdou seu nome, e o Hotel Le Peletier de Saint-Fargeau.

Museus Inusitados de Paris

Museu Carnavalet

O passeio se desenvolve através de diferentes salas que abragem a história de Paris entre séculos XVI e XX, além do período pré-historico ao galo-romano. Cada uma das salas é mobiliada e decorada com artefatos e quadros representativos da época exposta, permitindo uma verdadeira imersão na evolução da cidade, marcada por acontecimentos que transbordam a história do próprio país. O Museu Carnavalet é uma pérola para os amantes de história mas proporciona uma viagem leve pelo passado da capital francesa, agradando também o grande publico.

Destaque para as salas que celebram a Revolução Francesa, abrigando a mais completa coleção de objetos relacionados ao período, e para os quadros de Hubert Robert, pintor parisiense do século XVIII, especialista em representar famosos edifícios da cidade em ruínas, como a Bastilha e a Ponte de Notre-Dame, e imaginar a destruição de outros, a exemplo da Capela da Sorbonne e da Grande Galeria do Louvre (o que felizmente não aconteceu).

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Museu Carnavalet

Muito bem localizado, o museu se situa no charmoso quartier du Marais, que merece um artigo todinho e específico só pra ele. Resumindo, vale a pena emendar uma visita ao Museu de Picasso, à Biblioteca Histórica da Cidade de Paris (uma das mais belas do mundo), à Igreja de Saint Paul Saint Louis, à Place de Vosges ou às varias lojas, ateliês e brechós, todos no Marais !

E a cereja do bolo deixamos para o final : o acesso à coleçao permanente do Museu Carnavalet é GRATUITO, regra que se estende a todos os demais museus municipais.

Informações Práticas:
Endereço : 16, rue des Francs-Bourgeois, 75003 Paris.
Entrada Gratuita (exceto acesso a eventuais exposiçoes temporárias).
http://www.carnavalet.paris.fr

#2 – Museu do Quai Branly

Diferente da maioria dos museus parisienses, o Museu do Quai Branly não é voltado à cultura francesa, mas ao estudo, preservação e promoção das artes e civilizações extra-européias. É composto pelo imenso acervo de mais de 370 mil objetos, dos quais 3500 são expostos em alas dividas por zonas geográficas: Oceania, África, África do Norte e Próximo-Oriente, Américas e Ásia.

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Museu Quai Branly

Museus Inusitados de Paris

Museu Quai Branly

O Quai Branly impressiona logo do lado de fora. Situado à sombra da Torre Eiffel, sua fachada é coberta por um jardim vertical, imprimindo aos visitantes a sensação de penetrar uma floresta tropical. Em seu interior, encontramos o caminho que leva às exposições: uma longa rampa curva e iluminada com luzes que simulam os movimentos de uma correnteza, simbolizando a originalidade das civilizações homenageadas.

Entre os percursos oferecidos, é o das “Américas” que mais chama a atenção dos brasileiros. O acervo conta com um conjunto de cocares provenientes dos povos indígenas do nosso país. E no cruzamento com a ala « África », encontramos vitrines dedicadas à cultura afro-americana, como o candomblé baiano, fruto do contato entre os dois continentes. Surpreendente !

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Museu Quai Branly

Além da coleção permanente, o museu promove frequentemente exposições temporárias. Atualmente em cartaz, as exibições “Persona” e “Matahoata, Artes e Sociedade nas Ilhas Marquesas” tratam respectivamente da personificação de objetos pelo homem e da cultura da Polinésia Francesa. E em breve, a mostra “Jacques Chirac ou o diálogo de culturas”, onde o foco é a paixão do ex-Presidente Francês e idealizador do Quai Branly pelas civilizações asiáticas e pré-colombianas.

Ao final da visita, um café e restaurante é colocado à disposiçao dos visitantes, do qual é possivel admirar tranquilamente o monumento mais famoso da cidade.

Informações Práticas:
Endereço : 37 Quai Branly, 75007 Paris.
Valor da entrada : 9€ (tarifa plena), 7€ (tarifa reduzida).
http://www.quaibranly.fr/

#3 – Museu de Cluny – Museu Nacional da Idade Média

Assim como o museu Carnavalet, o Museu Cluny é o resultado da reunião de dois edifícios prestigiosos de Paris e que merecem a nossa atenção. O primeiro deles, as Thermes du Nord, trata-se de uma sala de banhos construída no período Galo-Romano, no final do século I d.C, único edifício presente na cidade referente à época em que Paris ainda se chamava Lutécia. O segundo trata-se do Hotel Cluny, edifício medieval em estilo gótico construído no final do século XV para servir de residência ao abades de Cluny.

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Façada do Museu Cluny

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Frigidarium ou Sala Fria

Inicialmente reunidos por Alexandre Du Sommerard, colecionador entusiasmado pela época medieval, o Museu Cluny conta com o vasto acervo de 24 mil peças, entre elas tapessarias, vitrais, tecidos e bordados, esculturas, pinturas, obras em marfim e objetos da vida cotidiana na Idade Média.

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Cabeças dos Reis de Juda

Um dos pontos fortes da coleção encontra-se logo no térreo: as estátuas mutiladas e as 21 cabeças dos Reis de Juda, originárias da Igreja de Notre Dame de Paris e vandalisadas durante a Revolução Francesa (a história conta que os revolucionários as interpretaram erroneamente como sendo a genealogia dos reis da França). As estátuas que podemos ver hoje na façada principal da Igreja de Notre Dame, portanto, tratam-se de de réplicas, haja vista que as originais se encontram no Museu Cluny. O frigidarium, ou “sala fria”, se situa ao lado, e constitui a única parte conservada do conjunto arquitetônico que compunha as Thermes du Nord.

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Sexta tapessaria do conjunto “Tenture de la Dame à la Licorne”

Já no primeiro andar, o destaque vai para as seis tapeçarias entituladas Tenture de la Dame à la Licorne, nas quais os cinco sentidos são simbolizados através da interação entre uma dama e um unicórnio. A sexta tapeçaria, objeto de dissenso entre os historiadores, representaria o sentido do “livre arbítrio”. Ainda no primeiro andar, o acesso à Capela do Hotel Cluny.

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Capela do Museu Cluny

À saída do Museu, os visitantes são convidados a dar um giro de retorno à modernidade no coração de Paris. O Museu Cluny é situado nas proximidades da Boulervard Saint-Michel, que leva ao famoso quartier de mesmo nome.

Informações Práticas:
Endereço: 6 place Paul Painlevé, 75005 Paris.
Valor da entrada: 8€ (tarifa plena), 6€ (tarifa reduzida).
http://www.musee-moyenage.fr/

Sobre o autor

Débora Rodrigues

Estudante de Direito em Paris e apaixonada por artes, história e, é claro, pela Cidade Luz! Te convido a conhecer através dos meus artigos o melhor que Paris tem a oferecer.

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