Malta

Roteiro de Malta – Explorando Malta a pé

Roteiro de Malta a pé
Escrito por Joanna Romano

Roteiro de Malta – Explorando Malta a pé

Malta era um destino que nunca tinha sido prioridade na minha lista, e para falar a verdade, eu só acabei parando lá por força do acaso.

Logo depois do Natal, as passagens aéreas na Europa estavam em promoção e como eu já estava na Inglaterra, resolvi dar uma olhadinha no site do Sky Scanner.

Coloquei no campo de busca: de Birmingham (o aeroporto mais perto da cidade que eu estava) para qualquer lugar (essa função do Sky Scanner é perfeita pra quem tem flexibilidade com relação a tempo e destino) e as passagens mais baratas que apareceram para o mês de janeiro eram para Malta – paguei 32 Libras ida e volta com as taxas inclusas (período de 12 a 17 de janeiro).

Como estava indo no meio do inverno, eu sabia que não ia rolar de curtir as praias e já que não sou muito fã de cidade, resolvi fazer a minha pesquisa voltada para trilhas e caminhadas.

Em abril eu estou indo fazer o Camino de Santiago e decidi que Malta seria o lugar ideal para dar início aos meus treinos.

Dia 1 –

Como eu cheguei em Malta no começo da tarde, fiz o check-in no meu hotel em Sliema e saí direto para caminhar para conhecer a região. Parei pra almoçar em uma lanchonete chamada J’Oli Sandwich Salad Bar – comi um wrap feito na hora e tomei um suco natural de frutas por menos de €10. A minha primeira impressão de Malta foi ótima e de cara eu já sabia que iria gostar do país. Depois de andar bastante por Sliema, passei no supermercado para comprar água, snacks e ingredientes para fazer um curry de grão de bico (receita no final do post) e voltei para o hotel para cozinhar. Depois de jantar fui para o quarto e fiquei editando foto até a hora de dormir.

Dia 2 –

Por ter um longo dia pela frente, acordei bem cedo, tomei café da manhã e fui fazer a minha primeira caminhada longa em Malta. Peguei a barca para Valletta e de lá andei um pouco e peguei outra barca com destino a Three Cities. De Three Cities eu andei pela costa até Marsaxlokk, parando em vários lugares lindos pelo caminho. Almocei em um restaurante chamado El Catalan em Xgħajra. Eu sou vegetariana e tenho intolerância a lactose e nesse restaurante não tinha muitas opções pra mim. Acabei comendo umas bruschetta de tomate com cebola e azeite (estavam uma delícia). Paguei menos de €4 por 4 bruschettas.

As minhas paradas preferidas durante essa caminhada foram as salinas em Xgħajra, os penhascos de Il-Hofriet e uma piscina natural chamada St Peter’s Pool. De Marsaxlokk eu peguei um ônibus de volta pra Sliema. Cheguei no hotel por volta de 18:30, dei uma relaxada e fui dar uma voltinha pra ver a vida noturna da cidade. Era sábado e todos os bares estavam lotados – uma coisa que me surpreendeu foi a enorme quantidade de fumantes em Malta. Como eu não estava com muita fome acabei não jantando, mas no caminho achei uma cafeteria natureba chamada Zebra Health Café e comi um delicioso brownie sem lactose.

Roteiro de Malta a pé

Roteiro de Malta a pé – Salinas Xgħajra

 

Roteiro de Malta a pé

Roteiro de Malta a pé – Il-Hofriet Cliffs

Nesse dia eu andei um total de 21km de acordo com o meu aplicativo do celular.

Dia 3 –

Como eu tinha planos de passear por Valletta, nesse dia não me preocupei em botar o celular para despertar. Acordei umas 9 da manhã, tomei café em um restaurante chamado Cuba (bem pertinho do hotel) e comecei a caminhar. A caminhada de Sliema pra Valletta via Ta’xbiex demora um pouco mais de 1 hora (são quase 6km no total) e a maior parte é plana.

A vista que se tem de Valletta durante a caminhada é linda.

Como era domingo, muitos restaurantes e lojas em Valletta estavam fechados e achar algo que eu pudesse comer e que não fosse caro foi uma missão quase impossível. Depois de rodar pela cidade por um bom tempo, achei um restaurante italiano onde comi um sanduíche de alface com tomate e azeite por €3,50 – parece sem graça mas o pão que eles usaram para fazer o sanduíche era muito bom.

Passei a tarde rodando pela capital e quando foi perto das 4 da tarde, fui andando para o Upper Barrakka Gardens para ver o canhão ser disparado. Esse evento gratuito acontece diariamente em dois horários diferentes (meio-dia e 4 da tarde) e é uma das atrações de Valletta – a vista de lá é uma graça e vale a pena a visita.

Roteiro de Malta a pé

Roteiro de Malta a pé – Upper Barrakka Gardens

Depois de passar um tempo curtindo o visual no Upper Barrakka Gardens, voltei para o centro da cidade para ver a abertura do festival Valletta Cultural Capital 2018. Valletta foi escolhida como a capital cultural da Europa 2018, mas a abertura do festival deixou muito a desejar. Tinha um balcão de informações perto da praça principal, mas ninguém sabia explicar direito os locais das atrações. A cultura pode ser um forte da capital, mas a organização de festival certamente não é!

Peguei a barca de volta pra Sliema e chegando lá fui jantar em um restaurante libanês chamado Kebab-ji Grill. Lá eu comi o melhor falafel da vida! O sanduíche no pão pita com refrigerante custa €6,50 e o prato de falafel com couscous ou arroz, salada, hummus e um pão pita com 3 molhos diferentes mais um refrigerante custa €10,50 – o prato vem bastante comida e dá pra duas pessoas que não comem muito (não é o meu caso haha).
Depois de comer fui andando de Sliema até St Julians e de lá voltei andando para o hotel (um pouco menos de 1 hora no total).

Nesse dia eu não achei que fosse andar tanto, mas no final das contas acabei andando 20km.

Dia 4 –

Acordei cedo, coloquei os meus lanches na mochila e peguei um ônibus sentido Mdina. Quando cheguei lá, a cidade,que também é conhecida como Cidade Silenciosa, já estava bem cheia – imagino que no verão fique insuportável!

Andei bastante pelas ruelinhas e parei na Fontanella, a casa de chá mais famosa de Mdina. No menu não tinha opção sem lactose pra mim, então tomei apenas um expresso (o meu marido comeu uma torta e disse que estava muito gostosa.). A vista de lá é incrível e vale a pena esperar para sentar na varanda.

Roteiro de Malta a pé

Roteiro de Malta a pé – Fontanella Mdina vista

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Roteiro de Malta a pé – Fontanella Mdina

Depois de rodar bastante por Mdina, segui caminhando com destino a Rabat. Parei para almoçar no banco de uma pracinha no caminho (levei comigo uma salada de couscous que havia comprado no mercado em Sliema) e fiquei olhando as pessoas passarem. Nessa mesma praça tinha uma lojinha que vendia doces tradicionais Malteses e o dono era muito simpático. Ele me deu uma prova de um dos doces e me garantiu que nenhum tinha leite, já que ele mesmo os fazia.
De Rabat segui andando com destino a Dingli Cliffs, onde eu tinha planos de assistir o pôr do sol. A caminhada de Mdina até Dingli foi muito interessante, passei por umas cidades minúsculas e também por várias fazendas.

Roteiro de Malta a pé

Roteiro de Malta a pé – Dingli Cliffs

Os penhascos de frente para o mar chamados de Dingli Cliffs oferecem uma vista deslumbrante. O pôr do sol em si não foi dos melhores pois o dia estava bem nublado, mas o visual com certeza compensou a longa caminhada! De Dingli peguei um ônibus de volta pra Sliema, passei no mercado para comprar uns antipastos, fui para o hotel comer e descansar e acabei não saindo mais.

Nesse dia caminhei um pouco mais de 15km.

Dia 5 –

Acordei às 7 da manhã, arrumei a mochila com lanche para o dia inteiro e peguei um ônibus para a estação de barca Cirkewwa. Chegando lá comprei o ticket ida e volta para a Ilha de Gozo por €4,65 – o trajeto demorou mais ou menos 25 minutos. Já em Gozo na saída da estação das barcas peguei um ônibus para Victoria, onde comecei a caminhada do dia.

Roteiro de Malta a pé

Roteiro de Malta a pé – Ilha de Gozo

Eu tinha ouvido falar que a Ilha de Gozo era bonita, mas não imaginava que fosse me surpreender tanto.

A caminhada com sentido a famosa Azure Window (que, infelizmente, desmoronou em março de 2017) começou dentro da cidade mas rapidinho eu cheguei em uma área rural bem deserta. No Google Maps eu vi que tinha um desvio pela costa e foi esse caminho que eu segui. Durante o tempo todo de caminhada por esse caminho alternativo eu não encontrei ninguém, só vi de longe uns fazendeiros trabalhando nos campos.

Passei por lugares com vistas de tirar o fôlego e parei em um deles para almoçar (levei de novo a salada de couscous do mercado). Ao chegar num ponto onde eu pude avistar o local onde ficava a famosa Azure Window parei por um tempo para curtir o visu. De onde eu estava eu conseguia ver os ônibus de turismo levando e trazendo gente e eu me dei conta que a vista de lá de baixo não chegaria aos pés do que eu estava vendo. Como eu não quis estragar a sensação de paz que eu estava sentindo depois de passar algumas horas caminhando com o meu marido sem ver ninguém, resolvi seguir de volta para Victoria. Nessa caminhada nós fizemos um circuito, então não passamos pelos mesmos lugares na volta.

No caminho de volta tiveram algumas partes bem íngreme e pra mim pareceu mais difícil que a ida.
Chegando de volta em Victoria paramos em um café chamado Jubilee – adorei a decoração de lá. Tomamos um suco, descansamos as pernas por uns 10 minutos e fomos pegar o ônibus de volta para a estação das barcas da ilha de Gozo.

Chegando no outro lado pegamos um ônibus de volta pra Sliema e paramos para jantar no Kebab-ji (o mesmo restaurante libanês que fui no segundo dia) antes de voltar para o hotel.
Todas as caminhadas que eu fiz em Malta foram incríveis, mas essa sem sombra de dúvida foi a minha preferida.
Nesse dia andei no total 18km.

Onde fiquei hospedada:

Day’s Inn Hotel em Sliema – Esse hotel parece mais um hostel de luxo. Eu fiquei em uma suíte de casal com ar condicionado, aquecedor, TV e uma mini cozinha com pia, frigobar e microondas (paguei 29 Libras por noite). Na área comum do hotel tem uma cozinha compartilhada com tudo que você precisa para cozinhar – nessa viagem eu economizei bastante cozinhando algumas refeições no hotel.

O café da manhã é a parte e custa €5 por pessoa (como no hotel tinha cozinha, eu mesmo fazia o meu café da manhã).
O hotel também tem piscina, mas ela estava fechada para manutenção (não fez a mínima falta na época que eu fui por causa do frio).

A localização do hotel é perfeita – vários bares, restaurantes, lojas e supermercados em menos de 5 minutos de caminhada. A estação para pegar a barca para a capital Valletta também é muito perto e os pontos de ônibus para diversos destinos também, inclusive o ônibus que te leva direto para o aeroporto.
Na recepção do hotel o WiFi é gratuito mas se você quiser Internet no quarto tem que pagar (o recepcionista, gentilmente, me deu um código de acesso no quarto sem cobrar nada – talvez por eu ter reservado 5 noites no hotel).

Eu percebi que esse hotel é bem popular entre estudantes – muita gente vai pra Malta pra aprender inglês.

Transporte:<

O transporte público de Malta é muito eficiente e fácil de entender. Os horários e números dos ônibus e barcas estão disponíveis no Google Maps.

O ônibus custa €1,50 (inclusive o ônibus que vai direto pro aeroporto) e você pode usar o ticket quantas vezes quiser em diversos ônibus no período de 2 horas.

As barcas entre Sliema e a capital Valletta custam €1,50 por trecho ou €2,80 ida e volta durante o dia e €1,75 por trecho ou €3,30 ida e volta a partir das 19:30.

Receita de curry de grão de bico para 2 a 3 pessoas:

2 latas de grão de bico
1 lata de tomate cortado
1 lata de leite de côco
Cogumelos frescos
Meia cebola
Curry em pó (eu uso o médio que não é muito picante)
Sal a gosto
Um pouquinho de azeite para dourar a cebola

Refogar a cebola e depois que ela estiver dourada adicione os cogumelos fatiados. Quando os cogumelos já não estiverem mais crus, adicione o grão de bico coado.

Coloque sal e curry em pó a gosto. Depois de uns minutinhos adicione o tomate e por último o leite de côco.

Eu geralmente como esse curry com arroz integral ou com quinoa. 

Pra mim essa receita é a mais gostosa, barata e prática para cozinhar em lugares com cozinha compartilhada.

OBS: Nessas caminhadas que eu fiz você passa por muitos lugares bem desertos, então é importante que você leve sempre água e snacks.

Sobre o autor

Joanna Romano

Sou aventureira e apaixonada pela vida nômade, estou na estrada desde 2007. Quando saí do Brasil pela primeira vez para fazer um intercâmbio de Au Pair na Alemanha e vivo viajando desde então. Atualmente moro em Melbourne na Austrália e escrevo sobre esse canto do mundo que eu AMO. Além disso, vocês podem acompanhar minhas aventuras pelo mundo no meu Instagram @fitbackpacker.
Aventureira e apaixonada pela vida nômade, a Joanna está na estrada desde 2007. Ela saiu do Brasil pela primeira vez para fazer um intercâmbio de Au Pair na Alemanha e vive viajando desde então. Ela compartilha todas as suas aventuras pelo mundo no Instagram

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